fbpx

Café Especial e a sua Contribuição para o Desenvolvimento

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram

O tema de hoje é sobre o café especial e a sua contribuição para o desenvolvimento.

Na seção científica do blog do Kolegio, são respondidas diversas perguntas, e, para responder a todas elas, são recorridas às citações diretas de dissertações, teses e outros trabalhos científicos.

O desenvolvimento de uma dissertação ou tese, podem levar longos períodos de pesquisas, e por conta disso, sempre aconselhamos aos nossos leitores, que, conheçam as obras originais dos autores aqui citados. Os links das publicações são encontradas no final desta página.

Os trabalhos completos podem serem baixados no Catálogo de Teses e Dissertações da Capes e na Plataforma Sucupira.

Sumário

O que é Café Commodity?

PngItem_179135 - baixo - Copia

(…) as commodities se caracterizam por serem produtos indiferenciados, com baixo processamento industrial e elevado conteúdo de recursos naturais.

A natureza da produção de commodities e seus ciclos de preços têm sérias implicações sobre os países produtores por meio da valorização da moeda local, acarretando o desestímulo às outras atividades, principalmente as manufatureiras, e ocasionando uma especialização ulterior.

Trata-se de um termo econômico-financeiro surgido nos Estados Unidos, em meados do século XIX (…), sendo que a commodity agrícola possui uma forte correlação geográfica e política, promovendo as especializações territoriais produtivas e submetendo o produto a um mercado globalizado.

O café é atualmente a segunda maior commodity agrícola mundial em valor de mercado, atrás somente do petróleo (…).

Cultivado em 50 países e consumido no mundo todo, o café se caracteriza por ser, dentre das commodities agrícolas, uma das mais antigas mercadorias comercializadas no mundo, responsável por contribuir para a expansão da economia mundial e nacional, sendo subsídio para o desenvolvimento das regiões inseridas na sua cadeia rodutiva.

A mercadoria “café” restringiu-se, durante os primeiros séculos (mais precisamente, entre os séculos XY e XVII) ao refinado mercado mulçumano controlado pelo Império Otomano.

Após o século XVII, o café foi incorporado à economia-mundo europeia, quando as companhias imperiais europeias (Holanda, França e Inglaterra) introduziram a cultura nas suas colônias do Oceano Índico e Caribe.

Mesmo assim, o café continuava a ser um produto de luxo, ou mesmo uma especiaria, consumida pela nobreza e pela burguesia ascendente da Europa mantida sob o monopólio dos Impérios Coloniais.

O “exclusivismo colonial” e o tempo relativamente lento dos sistemas de transporte e comunicação dificultavam sobremaneira a ampliação das trocas internacionais (…).

(…), a popularização mundial do café no século XIX decorreu da combinação de três fatores: a expansão do capital financeiro inglês, o desenvolvimento da produção brasileira e o aumento do consumo nos EUA.

(…) a expansão cafeeira brasileira foi diretamente influenciada e beneficiada pelos empréstimos provenientes desta expansão, dos quais construíram estruturas como ferrovias, portos e cabos submarinos.

Atrelados a disponibilidade de terra e força de trabalho, elevou-se a oferta mundial de café, derrubando os preços da bebida internacionalmente e conquistando novos mercados.

O desenvolvimento dos sistemas de transporte e comunicação foi essencial para o fortalecimento do comércio internacional e a ampliação da malha ferroviária para o interior do Brasil possibilitou a expansão da cultura em áreas passíveis de produção.

Da mesma maneira, a revolução das navegações, com a substituição dos barcos a vela pelos navios a vapor, intensificou o comércio entre a Europa, os EUA e o Porto de Santos, a partir da segunda metade do século XIX (…)

O telégrafo permitiu a dissociação, (…), entre a circulação do produto e a sua comunicação, sendo que as trocas de informações de cotações, estoques e safras eram necessariamente transmitidas pelas cartas ou mensageiros dos quais utilizavam os meios de transportes disponíveis.

A instalação do primeiro cabo submarino entre Nova York, Londres e a América do Sul, em 1974, revolucionou o mercado internacional de café, ao padronizar as informações (sobre preços, oferta e demanda) e torná-las praticamente instantâneas (…).

A commoditização da cafeicultura teve sua ação decisiva a partir da criação, em 1882, da Coffee Exchange in the City of New York – CENY, normatizando o comércio internacional de café, ao padronizar e classificar o café em diferentes tipos, favorecendo a permutabilidade dos fornecedores e definindo a qualidade necessária para uma economia de produção em massa.

Uma das normativas associadas à Bolsa de Café de Nova York foi à criação do mercado de futuro para o café, permitindo a venda antecipada dos grãos, antes mesmo de serem produzidas.

A padronização permitia ao comprador saber exatamente o que iria receber, enquanto o telégrafo possibilitava contato direto e instantâneo e o estabelecimento de uma base comum de preços. (…) o último passo para constituição do “moderno mercado de commodity” foi à criação do hedge, permitindo aos comerciantes (vendedores e compradores) se protegerem contra as oscilações, com a fixação dos preços no mercado futuro.

Desta forma, uma característica importante que influencia diretamente os preços do café commodity é o ritmo da economia global.

Os ritmos de expansão são, em geral, acompanhados por alta dos preços relativos, enquanto os de retração, por declínio desses preços. Isso porque as matérias primas agrícolas e os metais de uma maneira geral, são insumos da produção industrial, de oferta relativamente rígida no curto prazo, apresentando um comportamento pró-cíclico e constituem indicadores da recuperação industrial.

(…) diferentemente do café do tipo commodity, a produção de café especial deixa de ser comercializada na bolsa como uma mercadoria e passa por um processo de comercialização individual do produto.

Esta comercialização individual funciona de maneira colaborativa entre todos os agentes da cadeia produtiva, sendo necessário que haja um fluxo de informação ao longo da cadeia, negociando o preço dos cafés de qualidade superior num patamar acima da média negociada dos grãos convencionais.

A exportação mundial de sacas de café, já nos idos de 2015, envolvendo milhões de pessoas que dependem da produção de café ou que estão vinculadas a algum setor da cadeia produtiva, havia superado os 110 mil, sendo que só o Brasil foi responsável por 33,48% deste volume exportado (…).

Atualmente, o Brasil é líder mundial na produção e na exportação de café e segundo colocado, no consumo.

O Estado de São Paulo, em particular, detém produção predominantemente de café arábica, com expectativa de produção de 4,23 a 4,4 milhões de sacas para o ano de 2019.

Note-se, por fim, que o setor de agronegócio tem expressiva participação na composição do PIB (Produto Interno Bruto) do estado e da região de Franca (…).

Fonte: Freitas (2020)

PngItem_179135 - baixo - Copia - Copia

O que é Café Especial?

PngItem_179135 - baixo - Copia

O café produzido no Brasil recebe classificações distintas, levando em consideração aspectos qualitativos do grão para categorizá-los (…)

Café Especial, de acordo com esta fonte, é todo aquele que atinge no mínimo 80 pontos na escala de pontuação da metodologia (da qual detém valores máximos de 100 pontos), sendo avaliados os seguintes atributos:

  • fragrância/aroma;
  • uniformidade (cada xícara representa estatisticamente 20% do lote avaliado);
  • ausência de defeitos;
  • doçura;
  • sabor;
  • acidez;
  • corpo;
  • finalização;
  • harmonia;
  • conceito final (impressão geral sobre o café, atribuída pelo classificador, sendo a única parcela de subjetividade do classificador na avaliação da amostra);

O Café Especial destaca-se nesses atributos, possuindo sabores e aromas que podem ser frutados, herbais, doces como caramelo e chocolate, sendo que sua apreciação pode ser em função da região de cultivo, do cuidado pós-colheita e da torra.

Toda essa diferenciação do produto se traduz em potencialidades estratégicas para o desenvolvimento sustentável da região, visto a complexidade e a necessidade de mão de obra qualificada presente em todos os processos da cadeia produtiva.

Cadeia produtiva é um termo usado para indicar uma sequencia de estágios de fluxo de materiais e processos para fabricação de produtos e serviços, realizados por diversas empresas em diferentes estágios do fluxo.

Ou seja, a cadeia produtiva “é um conjunto interligado de elos entre fornecedores de materiais e serviços que abrange os processos de transformação que convertem ideias e matérias-primas em produtos acabados e serviços” (…)

A transformação do produto apresenta ser simples, mas alguns estudos (…) denotam uma certa complexidade nas combinações entre os segmentos produtivos, começando pela transformação (fornecedores de insumo, produção do café, cooperativas, produtores de mudas), indústria de maquinários agrícolas, armazenamento, exportação (corretoras), industrias de processamento (torrefação, moagem, empacotadoras do produto solúvel) e o mercado varejista (supermercados, pequeno varejo, mercado institucional, lojas de café, bares e restaurantes).

As características físicas e a composição química do café que traduzem a sua classificação e respectiva qualidade podem ser explicada, basicamente, pelos seguintes fatores:

  1. constituição de frutos cerejas sadios e graúdos e que estes ocorrem em ramos vigorosos, constituídos por técnicas de manejo adequadas,
  2. colheita planejada para a determinação do ponto de maturação correta, atribuindo uniformidade aos frutos, prezando sempre uma porcentagem maior de frutos maduros;
  3. lavagem e separação, eliminando impurezas e separando o café em lotes distintos para a secagem;
  4. secagem do fruto, determinando faixas de umidade ideal para o armazenamento, torra e moagem. (…)

Segundo BSCA – Associação Brasileira de Cafés Especiais, as características do café da Alta Mogiana são de uma bebida encorpada, com acidez meda e notas que vão de pêssego a chocolate, sendo que os cafés da região já foram listados entre os dez melhores do país por dois anos consecutivos na Cup of Excelence Brazil, um dos principais concursos de qualidade do circuito mundial.

Com relação ao consumo de cafés especiais, segundo a BSCA (2019), os brasileiros consumiram em 2018 o equivalente a 705 mil sacas de cafés especiais, o que representa apenas 3% do total do país, mas em comparação com o consumo do ano anterior, apresenta 19% de acréscimo.

Estas características e complexidades podem ser obtidas pelas características edafoclimáticas da região, com propriedades localizadas em altitudes acima de 800 metros e com relação ao manejo correto das etapas de produção, do plantio à secagem, da colheita à torrefação, transformando estas características como valores que serão apropriados na cadeia produtiva do café especial, como será discutido próxima sessão.

Fonte: Freitas (2020)

PngItem_179135 - baixo - Copia - Copia

Qual é o Panorama do Setor da Produção de Café na Região da Alta Mogiana?

PngItem_179135 - baixo - Copia

O município de Franca está inserido na região produtora de café denominada Alta Mogiana, com o cultivo principal da espécie Arábica.

A região produz uma bebida encorpada, com aroma frutado e sabor suave adocicado. Considerada uma das regiões produtoras de café mais tradicionais, possuindo cafezais a uma altitude que varia entre os 800 a 1.100 metros de altitude.

A temperatura anual média de 20°C é considerada amena, sendo que as variedades Arábica mais cultivadas são o Bourbon Amarelo, Catauí e o Mundo Novo (…)

Em termos econômicos, o município de Franca se caracteriza por apresentar ainda a vocação calçadista no cenário nacional e internacional.

O setor primário, mais especificamente o setor agrícola, destaca-se a produção de soja, cana de açúcar, café, milho e eucalipto (…)

O município de Franca apresenta tradição na produção de café e, segundo alguns estudos, recentemente esta se constituindo um modelo de agronegócio diferenciado, na medida em que apresenta grande sucesso nos esforços de diferenciação do produto, desvinculando-o do circuito tradicional de commodities (…)

Segundo o SEBRAE (…): “É de longa data que se encontra registro sobre o plantio de café na região. A região é associada ao café há mais de 100 anos. O Código de Postura da Câmara Municipal de Franca, de 1833, obrigava os agricultores a plantar e manter 25 pés de café por cada braça de terreno (…).

No entanto, foi com a chegada da ferrovia, e a inauguração da Estação de Franca, na década de 1890, que a cafeicultura se consolida como principal atividade econômica (…). O aumento da população de imigrantes, principalmente de italianos, era acompanhado por uma explosão da produção de café.

A cultura cafeeira era privilégio dos maiores produtores da terra. A parceria entre os proprietários e os imigrantes mostrou-se rentável a ambos. Desde então, a região sempre fora um polo qualitativo de café.”

(…) região da Alta Mogiana apresenta condições edafoclimáticas mais favoráveis à cultura, além da existência de uma utilização mais intensa de tecnologia, principalmente em relação à implementação e manejo dos plantios.

Nessa região há predomínio de cultivares geneticamente superiores, bem como de espaçamentos, tratos fitossanitários, nutricionais e podas instituídos com base em melhores recomendações técnicas.

De modo geral, o café é beneficiado nas propriedades e a colheita mecânica tem se expandido de forma significativa, em grande parte, via aluguel de máquinas.

Segundo o SEBRAE (…): “a região da Alta Mogiana produz café da espécie arábica e de grãos mais finos, conhecidos como “café de bebida mole”. Dentre as variedades mais cultivadas encontramos o Catuaí, Mundo Novo, Bourbon e Obatã.

O café tem como principal característica um corpo cremoso e aveludado. Possui aroma marcante, frutado com suaves notas de chocolate e nozes, de acidez média e equilibrada.

Assim que degustado, tem a magnitude de prolongado retrogosto com uma doçura de caramelo com notas de chocolate amargo. Trata-se de um café encorpado, talhado para o preparo de um excelente expresso”.

O BSCA (…) elenca 12 Estados brasileiros produtores de café especial, com 32 áreas específicas. No tocante, o país conta com 05 regiões de Indicação de Procedência (Mantiqueira de Minas, Alta Mogiana, Região do Pinhal, Oeste da Bahia e Norte Pioneiro do Paraná) e 01 Denominação de Origem (Cerrado Mineiro).

Fonte: Freitas (2020)

PngItem_179135 - baixo - Copia - Copia

O que é a AMSC – Associação de Produtores de Cafés Especiais da Alta Mogiana?

PngItem_179135 - baixo - Copia

A  AMSC  –  Associação  de  Produtores  de  Cafés  Especiais  da  Alta Mogiana se destaca pela produção de cafés de qualidade totalizando 23 municípios, 15  paulistas  e  8  mineiros.

Na  região  existem  concursos  de  qualidade  dos  cafés produzidos tanto pelos produtores de cafés em geral como também pelas cafeicultoras, compondo um grupo de mulheres produtoras que atuam ativamente no setor, conhecido como “Cerejas do café”.

Com cerca de 5 mil produtores de café e 100  mil  hectares  cultivados,  a  região  tem  20%  da  produção  composta  por  cafés especiais,  que  valem  em  média  20%  a  mais  que  o  café  tradicional  (AMSC  – Associação de Produtores de Cafés Especiais da Alta Mogiana).

Segundo  AMSC,  a  área  de  produção  com  café  do  tipo  “especial” compreende  em  7.720  hectares,  com  produção  média  anual  de  250  mil  sacas, sendo que a associação conta com 90 associados (produtores, cafeterias, exportadores, marcas de café torrado e cooperativas). 

Através da 1ª Ata da Reunião da Associação dos Produtores de Cafés Especiais da Alta Mogiana – AMSC, realizada em data de 18 de agosto de 2005, foi fundada a sociedade civil de duração ilimitada.

A criação da Indicação de Procedência da Região da Alta Mogiana foi finalizada em 11 de maio de 2011.

Segundo a Ata da organização: ”a  área  geográfica  delimitada  da  Indicação  de  Procedência  “ALTA MOGIANA”,  para  cafés  especiais,  obedecerá  a  seguinte  delimitação  dos municípios de Altinópolis; Batatais; Buritizal; Cajuru; Cristais Paulista; Franca;  Itirapuã;  Jeriquara;  Nuporanga;  Patracínio  Paulista;  Pedregulho; Restinga;  Ribeirão  Corrente;  Santo  Antonio  da  Alegria  e  São  José  da  Bela Vista, englobando os municípios, distritos, logradouros e demais delimitações geográficas mencionadas.

Nessa delimitação deverão ser respeitadas as áreas de reserva e proteção ambiental”.

A  Ata  estabelece  como  pressuposto  indispensável  para  o  sistema  de produção  do  café,  estar  de  acordo  com  as  técnicas  de  plantio,  manejo,  colheita, dentre  outros  procedimentos  que  o  documento  estabelece,  bem  também  o  uso  de praticas mitigadoras dos impactos ambientais, em especial a reutilização dos subprodutos.

Outro aspecto pertinente à pesquisa é a criação do Conselho Regulador  da  Indicação  de  Procedência  da  Alta  Mogiana,  sendo  este  um  Órgão Social da Entidade.

A sua constituição conta com: i) dois produtores de café; ii) duas instituições ligadas ao consumidor; iii) cinco instituições ligadas à pesquisa; iv) duas instituições  ligadas  ao  cooperativismo;  v)  quatro  instituições  ligadas  à  entidades sindicais;  vi)  uma  instituição  ligada ao governo  Estadual;  vii)  quatro  instituições ligadas a comercialização; viii) quatro instituições municípios.

Desta  forma,  segundo  o  documento,  o  Conselho  Regulador  tem  as seguintes atribuições:

  1. Criar o regulamento  de  uso  da  Indicação  Geográfica  do  café  da região da Alta Mogiana;
  2. Orientar e controlar  a  produção, elaboração  e  a  qualidade  dos produtos amparados pela Indicação de Procedência ALTA MOGIANA, nos termos definidos pelo Regulamento;
  3. Zelar pelo prestigio da Indicação de Procedência da ALTA MOGIANA no mercado  nacional  e  internacional  e  a  adotar  as medidas  cabíveis  visando  evitar  o  uso  indevido  da  Indicação  de Procedência;
  4. Auditar, elaborar  e  atualizar  os  registros  cadastrais  definidos  no regulamento,  bem  como  adotar  as  medidas  necessárias  para  o controle da produção, visando ao atendimento do disposto no regulamento  do  uso  da  Indicação  Geográfica  do  café  da  região  da Alta Mogiana;
  5. Propor medidas para regular a produção com a concessão de selos da Indicação de Procedência ALTA MOGIANA de forma harmônica com a demanda de mercado;
  6. Auditar a fiscalização  da  emissão  dos  certificados  de  origem  dos produtos amparados pela Indicação de Procedência ALTA MOGIANA,  bem  como  o  selo  de  controle,  que  serão  emitidos  pela AMSC;
  7. Elaborar e publicar relatório anual de atividade;
  8. Propor medidas ao regulamento;
  9. Adotar medidas para preservar e estimular a qualidade dos produtos da Indicação de Procedência ALTA MOGIANA;
  10. Fiscalizar o controle  do  uso  corrente  de  normas  de  rotulagem estabelecidas para Indicação de Procedência ALTA MOGIANA;
  11. Fiscalizar o funcionamento  de  uma  comissão  de  degustação  dos produtos da Indicação de Procedência ALTA MOGIANA;

Outra ação importante que o Conselho Regulador desenvolve é manter as  análises  das  propriedades  organolépticas  dos  produtores  finais,  em  um  sistema de amostragem da sara, para identificar se o produto segue os padrões de qualidade normalizados pela SCAA (Specialty Coffee Association of America), na qual os cafés deverão atingir no mínimo 75 pontos e, assim, atestada a qualidade, emitir os selos da Indicação de Precedência aos produtores.

Para  certificar  um  determinado  produto  é  necessário  avaliar  se  este atende aos requisitos das normas e códigos de conduta das certificadoras. Este é o papel  dos  Organismos  de  Certificação,  sendo  a  AMSC  provedora  deste  título.

A entidade  conta  com  técnicos  que,  através  do  processo  de auditoria  e  inspeção dos lotes amostrados, elaboram documentos de avaliação.

Desta  forma,  o  trabalho  tem  como  objetivo  geral,  discutir  sobre  as características  e  as  representações  que  impactam  na  produção  de  café especial,  a partir  do  estudo  de  caso  da  AMSC,  pela  estrutura  estabelecida  no  seu  estatuto  de origem.

Neste sentido, a próxima sessão tratou das principais diferenças entre a  produção  de  café  tradicional  –  commodities  e  a  produção  do  café  especial,  de como é formada a cadeia de valor, suas apropriações e a formação de preço do café especial.

Desta  forma,  o  trabalho,  ao  se  apropriar  dos  conceitos  básicos  da  cadeia produtiva do café especial permitirá que se adentre especificamente no desenvolvimento sustentável, no processo de organização do conhecimento, propiciando subsídios para análise e conclusão do estudo.

Fonte: Freitas (2020)

PngItem_179135 - baixo - Copia - Copia

Como se formou a cadeia de valor do café especial e sua apropriação de valor de uso?

PngItem_179135 - baixo - Copia

O Brasil se classifica por ser o maior exportador de café do mundo (EMBRAPA, 2019), responsável por cerca de 29% das exportações mundiais, sendo os 5 principais destinos: os Estados Unidos (19%), Alemanha (16%), Itália (8%), Japão (6%) e Bélgica (6%).

O volume exportado de “café especial” é de 15% do total das exportações efetuadas pelo país (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil [Cecafé], 2020), exportando produtos refinados com maior valor agregado.

Essa cadeia produtiva afeta diretamente na economia do país, na política e nas organizações produtivas brasileiras.

A cadeia de valor do café inicia-se a partir da produção de grãos para as diferentes formas de preparo e consumo da bebida.

As mudanças oriundas do consumo de café, a partir, por exemplo, de novos métodos de extração, tornando uma experiência única para o consumidor, impactaram nas formas de produção, tornando os processos na propriedade rurais mais tecnológicos, pela necessidade de se controlar diversos fatores que impactam na qualidade final da bebida.

Conjunto a este cenário houve uma mudança nos hábitos alimentares de uma maneira geral, onde o mercado exige-se produtos de melhor qualidade e com práticas sustentáveis.

Houve então a necessidade de se formar uma organização que desse respaldo para o setor, e desta maneira, em 1990, produtores de café fundaram a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), que tinha por objetivo construir ovas possibilidades de negócios investindo na qualidade do café.

(…), considera-se que exista três movimentos, também denominados “ondas”, das quais influenciam o mercado e consumo mundiais de café.

Cada “onda” apresenta um conjunto diversificado de prioridades e filosofias, interferindo diferentemente na maneira de consumo da bebida.

O café “especial” foi influenciado pela Terceira Onda, ganhando força nos últimos cinco anos.

Segundo os autores, a primeira “onda” é caracterizada pelo início da comercialização de café, com produtos de baixa qualidade e grande quantidade, pelo aumento do consumo associado aos processos de produção e comercialização comoditizados focados na distribuição em grande escala.

A segunda “onda” caracteriza-se pelo início do consumo de cafés de qualidade pela produção controlada, com rastreabilidade e dando uma identidade para os cafés (cafés de origem).

Com a disseminação do consumo a partir de cafeterias especializadas, surgiram grandes marcas como a Starbucks.

Nesta etapa, o produto de maior qualidade começou a ser consumido nas casas das pessoas, a partir da inserção de cápsulas pela empresa Nespresso.

A terceira “onda” representa uma revolução no consumo de cafés “especiais”, pela diferenciação do produto e a experiência de consumo que proporcionam.

As experiências no consumo do café como produto vão além da simples degustação da bebida, incluindo experiências e percepções individuais que levam à apropriação de valor durante o seu uso.

Os clientes são integrantes de recursos, promovendo a cocriação de valor com provedores (…)

Na terceira “onda”, cafeterias e produtores adotaram uma relação mais estreita, destinada a promover a diferenciação do valor para o consumidor final e justificando a diferenciação do valor no produto (…)

A partir deste cenário proporcionado pela terceira “onda”, a criação de valor é fundamental para as empresas obterem a fidelidade e a satisfação dos clientes e criarem uma vantagem competitiva ao longo da cadeia de valor, destinada a promover a diferenciação do valor para o consumidor final.

Desta maneira, o produtor tem a possibilidade em negociar sua produção aos consumidores finais, agregando informações sobre a garantia de qualidade, apropriando-se dos valores econômicos.

Fonte: Freitas (2020)

PngItem_179135 - baixo - Copia - Copia

Como ocorre a Formação de Preço do Café Especial?

PngItem_179135 - baixo - Copia

A definição de um modelo para a formação de preço é fomentada por DOLAN e SIMON (…), sendo que o modelo proposto pelos autores refere-se ao papel primordial do valor percebido na formação de preço.

Ou seja, os autores desenvolvem um modelo que permite trabalhar como o valor do produto e não apenas com os custos e o lucro desejado pelo produtor, sendo uma visão alternativa da formação de preço com agregação de valor para o café “especial”.

(…) consumidores compram um serviço específico pensando nos benefícios advindos deste em relação aos seus custos.

Sendo assim, a recificação baseada no valor admite que nenhum cliente pagará mais por um produto do que aquilo que acha que vale.

A agregação de valor ao produto inclui sensações que podem ser passadas no momento do consumo, construindo significado sobre o produto, estabelecendo uma conexão ou relação ambiental que liga os clientes ao produto (…)

(…) na abordagem de formação do preço do produto, a qualidade está relacionada ao local de origem, sendo que o posicionamento é dependente do interesse do produtor em estar tratando o seu produto como especial, termos abordados nas próximas sessões, com relação às Indicações Geográficas da Região da Alta Mogiana.

O autor ainda cita que os custos envolvidos na disponibilização do café especial são apresentados em três categorias: a primeira refere-se aos custos do produto, ou os custos que são obtidos para a produção do café especial; a segunda categoria de custos envolve os logísticos que são aqueles referentes à embalagem, transporte, tributação do produto especial; a terceira categoria consiste nos custos de comercialização, que se referem ao investimento em propaganda, participação de feiras e contatos externos.

A formação do preço do café especial depende do seu posicionamento e da sua concorrência por meio das formas de diferenciação e segmentação.

A participação de eventos e premiações, conjunto ao relacionamento com o comprador são aspectos que influenciam diretamente no preço final do produto e a agregação de valor. Estratégias em longo prazo devem ser desenvolvidas pelos produtores de café especial, aproximando os consumidores finais, visando sempre um relacionamento transparente, demonstrando e garantindo a qualidade do produto conjunto a experiências individuais.  

Apropriando-se dos conceitos básicos da diferenciação do café tradicional com o especial, a sua cadeia de produção e suas possíveis valorizações que influenciam na formação do preço do produto, temos condições de adentrar nos pressupostos do desenvolvimento regional sustentável, do qual será abordado na próxima sessão.

Fonte: Freitas (2020)

PngItem_179135 - baixo - Copia - Copia